domingo, 26 de janeiro de 2020


A  oração é um exercício espiritual para alcançarmos frutos


No livro “O poder através da oração”, E.M. Bounds escreve que Jonathan Edwards argumenta que se alguns cristãos, que muitas vezes, se queixam bastante dos ministros tivessem trocado esses lamentos pelas humildes e fervorosas orações e aplicado o seu poder de clamar a Deus pelos seus ministros, muito mais sucesso teriam alcançado. A oração é a chave do sucesso para a igreja. Bounds faz uma relação bastante estreita entre a oração das ovelhas pelo seu pastor e a oração do pastor pelas suas ovelhas. Essa prática não deve ser tratada como se fosse algo sem importância. Talvez, alguns ministros percebam que pedir a sua igreja a oração em seu favor, seja algo que os tornem menos importantes, lhes desaprovem ou depreciem, da mesma forma como, enganosamente, entendem que a sua eloquência, oratória, conhecimento, cultura, capacidade de estruturar bons esboços de sermões sejam mais importantes do que a oração pela sua igreja e ovelhas.
A oração é essencial para a igreja. Ela é uma necessidade urgente. A oração é um meio de graça. É por meio dela que podemos nos tornar mais santos, mais edificados, pois ela é elementar para que entendamos a mensagem da Palavra e para que roguemos a Deus que nos aplique ao coração a Palavra revelada. Somente pela oração podemos pedir a Deus que torne a Revelação clara para nós. A igreja pode ouvir a pregação mais clara, atraente e bem estruturada, mas sem a oração ela jamais poderá ser entendida. O pastor pode usar bem a sua oratória, o poder do seu intelecto, o talento e a persuasão, além de ter estudado para pregar de forma eficiente. Todavia, se a igreja não ora pelo ministro e o ministro não ora pela pregação e pelas suas ovelhas, todo o tempo e recursos são perdidos e a edificação torna-se distante. O Evangelho só pode ser propagado e produzir frutos quando a igreja o faz em oração.
O Senhor Jesus nos ensina que “Bem-aventurados são os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3).  Como humildes de espírito devemos reconhecer que precisamos do nosso Deus.  Cristo reconhece o coração que é dedicado à oração, por isso Ele admoesta os seus discípulos que não estavam orando: “E, voltando para os seus discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26. 40,41).
A oração não é apenas necessária para a pregação da Palavra. Ela é necessária para que sejamos poderosamente salvos e para nos tornar perfeitos e preparados para as boas obras. A liderança da igreja precisa ser afeiçoada ao exercício espiritual de orar por si mesma, pela igreja, pela pregação do Evangelho e por suas ovelhas. No livro de Atos do Apóstolos, Pedro afirma que os pastores não podem deixar de tratar a oração e o ministério da Palavra com grande responsabilidade e seriedade (At 6.4). O apóstolo Paulo foi grande um exemplo de um pregador que orava pelas suas ovelhas. Na carta aos Colossenses, Paulo nos relata que Epafras, ministro da igreja de Colossos era um pastor que intensamente orava por aquela igreja.
Portanto, a oração é uma responsabilidade distinta da liderança e da igreja. Bounds nos afirma em seu livro: “homens de oração poderosa são homens de grande poder e moldam as coisas. Seu poder com Deus tem o passo de um conquistador”.  Se quisermos ser poderosamente salvos, homens perfeitos e preparados para as boas obras, produzir e alcançar frutos com a pregação do Evangelho, devemos ser dedicados ao exercício excelente da oração.


Por Presb. Antonivaldo de Jesus Silva


sábado, 2 de novembro de 2019

O que a Escritura Sagrada nos diz acerca da morte e o que ocorre depois dela?


Perguntas e respostas sobre a morte

O que é a morte?



É a separação do homem de si mesmo. O ser humano é uma unidade integrada constituído de corpo e alma. A morte causa essa separação. Com a morte a parte material é sepultada, mas a imaterial continua existindo: “e o pó volte a terra, como era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 7.29 – ver 2 Co 5.8; Fp 1.23; Lc 16.19-31).


Morreu, acabou?
Não. Haverá uma ressurreição final por meio de Cristo: “Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio à ressurreição dos mortos.” (1 Co 15.21 – ver 1 Ts 4.14; Jo 11.25,26).
Por que o homem morre?
Por causa da queda no pecado do primeiro homem: “Porquanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm 5.12 – ver Gn 2.16,17; 3.1-24).

O que acontecerá se o homem morrer na condição de pecador?
O homem terá que enfrentar o juízo divino: “... o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo." (Hb 9.27 – ver 2 Co 5.10; Jo 5.29).
Qual a natureza desse juízo?
“..lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” (Ap 21.8b – ver Mt 25.41).
Como escapar deste terrível juízo?
Buscando refúgio em Cristo. Por que? Porque “quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (Jo 3.18). Cristo também diz: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” (Jo 5.24).


O que Cristo fez para nos livrar do juízo?

“Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados...” (1 Pe 2.24 - ver 1 Pe 3.18; 2 Co 5.21). “... ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Is 53.5). “...Jesus, que nos livra da ira vindoura.” (1 Ts 1.10).
A única segurança que temos quer seja vivendo ou morrendo só pode ser encontrada em Jesus Cristo (Rm 14.8). Portanto, arrependa-se de seus pecados e creia nele (Mc 1.14,15).

Por Rev. Ronaldo Soares dos Santos

segunda-feira, 11 de junho de 2018


O Prefácio dos Dez Mandamentos
“Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”
(Êx 20.1-2).
Este prefácio ensina-nos três importantes verdades as quais devem motivar o povo de Deus para viver uma vida de santidade, submissão, louvor e gratidão a Ele (Deus).
A primeira verdade que este prefácio nos ensina é o fato de Deus ter se revelado de modo especial ao seu povo: “Então, falou Deus todas estas palavras”.  Isso é magnífico! O Deus Eterno, o criador de todas as coisas, quis se revelar ao seu povo, tornar-se conhecido a ele. Isso revela sua graça. Afinal, sem a iniciativa divina, jamais saberíamos qualquer coisa sobre Sua pessoa, sobre nós mesmos e o mundo em nossa volta, viveríamos uma vida sem significados e sem qualquer perspectiva quanto ao futuro. Contudo, Deus graciosamente se mostra ao seu povo e revela sobre seu caráter, sua vontade e seu plano de salvação. Isso é graça.
A segunda verdade que este prefácio nos ensina tem haver com a maneira como Deus se apresenta ao seu povo. Era comum os reis e imperadores iniciarem seus editos ou alianças com seus nomes. Assim, ao se revelar ao seu povo, Deus diz quem Ele é “o SENHOR, teu Deus.”  Com esta expressão, Deus se revela como sendo o Deus pactual, aquele que é auto-existente, imutável em seu Ser e fiel cumpridor de suas promessas. Essa expressão também aponta para seu senhorio. Deste modo, ele prepara o seu povo para que se submeta aos seus mandamentos. Isso também é graça. Primeiro porque ele quer que o seu povo o conheça. Em segundo lugar, porque ele livra seu povo da tirania do rei do Egito para fazer parte de seu Reino majestoso e se submeter ao seu senhorio gracioso.
A terceira verdade que este prefácio nos ensina diz respeito a Deus como o Redentor de seu povo. “... que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. Nos estudos do Breve Catecismo de Westminster o teólogo Leonard T. Van Horn afirma categoricamente :“O livramento de Israel da casa da servidão tipifica para o crente o livramento espiritual do pecado, de Satanás e do inferno. Nosso livramento espiritual é uma coisa maravilhosa, uma misericórdia pela qual deveríamos estar louvando a Deus continuamente.”[1]
Que Deus gracioso e misericordioso nós servimos! O Deus que se revelou de forma especial ao seu povo escolhido. O Deus pactual, auto-existente e imutável em seu Ser, o qual na história tem cumprido cada uma de suas promessas para a sua própria glória e em benefício de seu povo. O Deus redentor que em Cristo Jesus livrou seu povo do pecado, de Satanás e do inferno “e transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13).
Como não amar intensamente a este Deus (Dt 6.5)? Como não louvá-lo fervorosamente (Rm 11.33-36)? Como não se submeter e obedecer aos seus santos mandamentos humildemente (Jo 14.21)? E como não viver para a glória desse Deus gracioso (Is 43.7)?

Por Rev. Ronaldo Soares dos Santos


[1] HORN, Leonard T. Van. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. Os Puritanos, 2000. P 92.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

CUIDADO COM A APOSTASIA


 Série: Exposições nos Salmos
Por Pr. Ronaldo Soares dos Santos
Sermão Pregado em 29/01/2017
TÍTULO: CUIDADO COM A APOSTASIA.
TEXTO: Salmo 1

INTRODUÇÃO: Amados irmãos em Cristo Jesus, em várias ocasiões a Bíblia nos adverte quanto ao perigo da apostasia. Mas o que é apostasia? Em termos simples, é o abandono da fé. Um apóstata é aquela pessoa que por um tempo recebeu a Palavra do Senhor, professou sua fé em Deus, participava dos cultos, dos sacramentos etc., todavia, depois de algum tempo, tal pessoa sufocada pelo mundanismo começa a se afastar das coisas de Deus e passa a pôr em cheque os absolutos da Palavra, chegando finalmente a abandonar definitivamente sua confiança no Senhor como seu Salvador. O homem vira as costas para Deus e passa a viver em rebeldia a sua Palavra.
ELUCIDAÇÃO: Este Salmo nos alerta quanto ao cuidado que devemos ter com a apostasia, pois é exatamente num contexto de fé que surgem os apóstatas. Muitos deles convivem com os justos na congregação como se fosse um deles, contudo, em seus corações são rebeldes à lei de Deus. Eles sutilmente tentam confundir a mente dos justos para que sigam também seus pensamentos ímpios. O salmista exorta os justos para que não sigam o caminho deles, instruindo para sigam a lei do Senhor, meditando nela dia e noite.
Portanto, neste salmo são apresentados dois caminhos: o caminho da fé, fundamentado na lei de Deus e, o caminho da apostasia, fundamentado no ateísmo. Cada um desses caminhos leva para um fim. Os que tem prazer na lei de Deus são conhecidos e amados pelo Senhor, os que desprezam a Deus e os seus mandamentos sofrerão o juízo e perecerão para sempre.
Diante disto, pergunta-se:
Como evitar o caminho da apostasia e preservar a fé no Senhor?

I- NÃO FAZENDO TRÊS COISAS ( Sl 1.1).
1. OS JUSTOS NÃO DEVEM ANDAR NO CONSELHO DOS ÍMPIOS. O verbo andar se refere às pessoas que seguem o caminho contrário ao do Senhor. Vemos muito no Antigo Testamento as frases: “andou o povo atrás dos ídolos; andou Israel atrás dos falsos deuses”, etc. A palavra “conselho” significa ensino ou opinião. Já o termo “ímpio” significa aquele que se levanta contra Deus e sua lei. Portanto, “seguir o conselho dos ímpios” significa alguém que deixa de seguir os ensinos da palavra de Deus para seguir a opinião dos inimigos de Deus.

Aplicação: Se eu perguntasse a cada um de vocês se desejariam trocar os ensinos de Cristo pelos ensinos dos ímpios, certamente eu ouviria um sonoro NÃO! Todavia, eu tenho que lhes informar que muitas vezes temos feito isso na prática. Como? Preste atenção... você acha que o domingo é como outro dia qualquer e, portanto, você pode negligenciá-lo não guardando? Você acha que não tem nada demais um cristão se casar com um descrente?
Você defende o feminismo, as drogas e o aborto? Você defende, aprova ou acha normal o homossexualismo ou qualquer relação sexual fora do matrimônio entre um homem e uma mulher? Você acha que pode contar uma mentirinha como meio para justificar o fim? Você acha que na relação familiar não existe funções e papeis distintos? Ou seja, que o homem tem a obrigação de amar sua esposa como Cristo amou a sua igreja, que ele tem o papel de cabeça, provedor físico e espiritualmente do lar? E que a mulher no lar deve submissão a seu esposo no Senhor e que ela desempenha o papel de auxiliadora idônea? Que os filhos devem ser educados nos caminhos do Senhor e devem honrar seus pais como o primeiro mandamento com promessa? Se você concordou com qualquer um desses pensamentos contrários as Escrituras, pode ter certeza que em certa medida, você se associou com os ímpios, trocando o ensino da palavra de Deus por ensinos mundanos. Isso é um passo largo para apostasia. Atentem para a palavra de Deus: “NÃO ande no conselho dos ímpios”!
2. OS JUSTOS NÃO DEVEM DETER-SE NO CAMINHO DOS PECADORES. A palavra “deter-se” significa estar parado para fazer algo. Refere-se a uma pessoa que está indecisa entre o mundo e a igreja. Ele não sabe que caminho seguir. Mas por fim, se não arrepender-se, seguirá os pecadores.

Aplicação: Desde a queda o homem tem procurado seguir o caminho contrário à vontade do Senhor. Somente aqueles que foram regenerados pelo Espírito Santo seguem a Cristo. Uma das investidas dos pecadores contra os justos é fazê-los pensar que eles não precisam ter um Senhor sobre suas vidas. Satanás foi o primeiro a fazer isso. No Éden, ele propôs ao primeiro casal uma independência do Senhor quando tentou Eva a comer do fruto que Deus havia proibido. O resultado é que ambos compraram essa ideia e se rebelaram contra o Senhor ao comerem do fruto. Muitos cientistas modernos têm seguido o exemplo de Satanás ensinando a autonomia do homem. Alguns dizem que “a fé em Deus é a muleta dos fracos”, outros alegam que é “a religião é o ópio do povo”... Todas essas frases denotam a ideia de que crer ou confiar em Deus e se submeter a sua palavra, será sempre um sinal de fraqueza e incompetência das mentes fracas que buscam anestesiar suas frustações criando a ideia de um Deus que os ampara. Para os teóricos ateus, os homens devem ser senhores de si mesmos e protagonistas da história e que, portanto, não precisam da muleta religiosa para viver. Esse pensamento ímpio tem adentrado nas igrejas com uma roupagem evangelical e corrompido a fé de muitos. Um exemplo claro é a teologia da prosperidade pregada por vários líderes evangélicos e aceita por muitos membros. Essa teologia tem trazido muita confusão à mente de boa parte dos evangélicos. Esse pensamento teológico coloca o homem no lugar de Deus e Deus no lugar do homem. Se tais pessoas não se arrependerem e voltar-se para o Senhor, certamente serão rejeitados para sempre. O alerta do salmista soa como um alerta: “NÃO se detenham no caminho dos pecadores”. Não coxeiem entre dois pensamentos, fujam desses ensinos e volte-se para palavra de Deus!

3. OS JUSTOS NÃO DEVEM SE ASSENTAR NA RODA DOS ESCARNECEDORES. Escarnecer aqui é o mesmo que zombar. É a ideia de depreciar o outro. Dentro deste contexto, a imagem é de pessoas reunidas e arrogantemente fazem zombarias contra Deus como se ele fosse uma farsa, uma figura caricata e desprezível. No Salmo 73, o salmista apresenta essa zombaria contra Deus: “Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra. E diz: como sabe Deus? A caso, há conhecimento no Altíssimo? (Sl 73.9,11).

Aplicação: Meus irmãos, não são raras as situações que vemos pessoas brincando com o nome de Deus. Inclusive, muitos cristãos em tom de brincadeira tem quebrado o terceiro mandamento: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êx 20.7). Muitos fazem piadas com as coisas santas do Senhor. É bom lembrar que comete pecado tanto quem profere a piada como quem participa rindo ou simplesmente ouvindo tais pessoas. Devemos ter muito cuidado com isso irmãos. O Senhor diz claramente que “não terá por inocente quem tomar o seu nome em vão”. Ou seja, ele trará juízo sobre a vida de quem pratica tais coisas. Levem Deus a sério, considerem sua palavra, não se associem com os escarnecedores.
Como evitar o caminho da apostasia e preservar a fé no Senhor?
II. Tendo prazer na lei do SENHOR (vs. 2).
1. OS JUSTOS DEVEM TER PRAZER NESSA LEI. Ter prazer na lei de Deus é deseja-la como o principal alimento – “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca” (Sl 119.103). É tê-la como prioridade. “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna.” (Jo 6.27a)

Aplicação: Vivemos num mundo de muitas vozes (ensinos) as quais apontam para vários caminhos. Mas a única voz que devemos seguir é a voz de Deus revelada em sua Palavra escrita. A declaração dos discípulos de Cristo é verdadeira: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 7.68a). Nesse mesmo pensamento o salmista também diz: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos” (Sl 119.105). Portanto meus irmãos, a única maneira de seguirmos na direção certa, é termos a orientação da Palavra de Deus registrada na Bíblia Sagrada. Mas, para ouvi-la, devemos lê-la regularmente com apreço. “Quanto amo a tua lei! É minha meditação todo dia!” (Sl 119.97).
Como tem sido sua leitura bíblica? Você tem gasto tempo apreciando a lei de Deus? Quer fazer um teste de como está o seu nível de apreço pela palavra de Deus? Compare o tempo que você gasta com whatsapp, facebook, instagram e etc. com o tempo que você dedica lendo a Bíblia. O resultado é simples, aquilo que você gastar mais tempo revelará qual tem sido sua fonte de maior prazer.
Como evitar o caminho da apostasia e preservar a fé no Senhor?

2. OS JUSTOS DEVEM MEDITAR DIA E NOITE NESSA LEI. O termo “meditar” é o mesmo que ruminar. A ideia aqui é de ler as Escrituras e reler de forma cíclica. Ou seja, ler a Palavra de Deus constantemente, regularmente.

Aplicação: É impressionante como muitas pessoas alegam ter experiências espirituais com Deus sem pelo menos gastar tempo lendo sua Palavra. Que Deus elas conhecem? Certamente não é o Deus da Bíblia. Embora a obra da criação e os reflexos da imagem de Deus presente no homem deem sinais de sua existência, contudo, ele só pode ser conhecido salvificamente em sua Palavra acompanhada pela ação do Espírito Santo (Ler a C.F.W cap. I.I). É na Bíblia que conhecemos obras de Deus, seus atributos e seu plano de salvação para com seus filhos. Portanto, todo conhecimento a parte das Escrituras não passa de misticismo. Ainda mais, quem despreza o estudo sério da Palavra de Deus se torna uma preza fácil dos falsos mestres. Portanto meus irmãos leiam a Palavra do Senhor, acompanhada de oração para que o Espírito Santo ilumine seu entendimento a fim de que você compreenda as maravilhas da sua Lei. Faça um propósito de Ler a Bíblia todos os dias.
O que acontece quando os justos se alimentam da lei do SENHOR?
II- Eles são bem-aventurados (vs. 3).
1. ELES TÊM VIDA PERENE – “É como árvore plantada junto a corrente de águas”.

Aplicação: Cristo é a água da vida, aqueles que bebem dele, nunca mais terão sede ( Jo 4.13-14). Não somos capazes de nos nutrir nem de nos sustentar por nossa própria conta, precisamos estar arraigados em Cristo e nos alimentar do seu poder espiritual.
2. ELES FRUTIFICAM – “... que no devido tempo dá o seu fruto”.

Aplicação: Somente estando em Cristo, à videira verdadeira, é que podemos dar fruto: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).
3. ELES VIVEM COM PROPÓSITO – “... e tudo quanto ele faz será bem sucedido”.

Aplicação: A vida sem Cristo é vazia, efêmera e confusa. No entanto, aqueles que estão em Cristo, suas vidas tem sentido, direção e certezas. O sentido da vida é contemplar a glória de Cristo. Pela graça de Deus Já vislumbramos essa glória, mas não plenamente por causa da corrupção do pecado ainda presente em nós. Todavia, na consumação de todas as coisas, quando o nosso corpo de pecado se revestir de um novo corpo, completamente livre do pecado, finalmente veremos o brilho da glória de Cristo em seu esplendor. Óh! Que dia glorioso será este!
E os apóstatas? Qual será seu fim?
III- Diferentemente dos justos, eles não tem vida. (vs. 4).

ESTÃO MORTOS ESPIRITUALMENTE, SEGUINDO APENAS O CURSO DESTE MUNDO. “São como a palha que o vento dispersa” (vs. 4; ver Ef 2.2). Estão perdidos como uma folha seca jogada pelo vento de um lado para outro. Andam perdidos, sem direção, alienados de Deus...
Aplicação: Meus irmãos, não invejem a vida dos ímpios. Não os imitem! Não sigam seus conselhos! Eles não passam de folhas secas. Se você quiser ser como eles, acabará como eles. Os dois pontos a seguir revela como será o fim dos ímpios.
1. SERÃO JULGADOS E CONDENADOS. “Não prevalecerão no juízo” (vs. 5a). O termo “prevalecer” é o mesmo que se erguer, ficar em pé.

Aplicação: Agora, os ímpios podem até querer se orgulhar, levantar seu queixo e empinar seu nariz como símbolo de sua arrogância. Por enquanto, eles não querem se submeter à lei de Deus e resistem ao Senhorio de Cristo. Contudo, quando o dia do juízo chegar, todos se prostrarão diante daquele que “Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).
2. SERÃO BANIDOS PARA SEMPRE DA PRESENÇA DO SENHOR. “... não permanecerão na congregação dos justos” (vs. 5b-6).

Aplicação: Quando o dia do julgamento chegar, o Senhor, o justo Juiz, separará o trigo do joio, as ovelhas dos bodes e os grãos da palha, e nenhum incrédulo poderá reunir-se com os justos. “Então, o Rei dirá também aos que estiverem a sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”( Mt 25.41). Ver o cap. XXXIII, I e II da C.F.W.
Como posso ter certeza que somente os justos escaparão dessa condenação?
IV- Porque “o SENHOR conhece o caminho dos justos” (vs.6).

O verbo conhecer nesse versículo, não quer dizer que Deus apenas tem informação a cerca da existência dos justos e, portanto, se lembra deles. Antes, significa que o Senhor os escolhera e que os guardará providencialmente até o dia final. Isso é o que a teologia chama de “a perseverança dos santos” (ver C.F.W cap. XVII, I e II). Portanto, os justos estarão seguros, porque em Cristo, Deus os escolheu e salvou para ser seu povo eleito e amado. Eles jamais se perderão!
Embora o salmista tenha começado este Salmo com a séria advertência para que os justos não seguissem o caminho dos apóstatas, contudo, ele sabia que os verdadeiros crentes seriam guardados pelo Senhor para a salvação porque pertencem a ele.
Aplicação: Meu querido irmão, não existe consolação maior que esta, a saber: que pertencemos a Cristo e, portanto, jamais nos perderemos. Essa é a nossa segurança (Ver a 1ª Pergunta e Resposta do Catecismo de Heidelberg). Por mais que a nossa fé enfraqueça e estremeça frente às adversidades que surgem em nossa peregrinação até o Céu, contudo, não ficaremos pelo caminho ( Ler a C.F.W cap. XVIII, IV). E a certeza para isso, é que o nosso Senhor Jesus cuidará para que cheguemos até o fim. Ele é aquele companheiro de viagem que acompanha o peregrino em sua peregrinação no Salmo 23.4: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”.
Já os ímpios, não terão a mesma sorte. O SENHOR não os conhece (não escolheu para salvação), por isso, perecerão para sempre - “... mas o caminho dos ímpios perecerá”. (Ver Mt 7.22-23).
CONCLUSÃO E APLICAÇÃO:
Concluo este sermão com a seguinte exortação:
1. Não se relacionem com ímpios. Eles não amam a Cristo e consequentemente não amarão vocês (Jo 15.18-19). Isso implica o não envolvimento amoroso entre um crente e um descrente... Moça... Como teu futuro esposo ímpio amará você como Cristo ama sua igreja considerando que este esposo não ama Cristo? Rapaz... Como tua futura esposa ímpia se submeterá a você no Senhor uma vez que a mesma não se submete a Cristo como seu Senhor? (ver Ef 5.22, 25). Não se relacionem com aqueles que não são conhecidos por Deus. Como se unir com quem se opõem a Deus e não ama sua lei?
2. Não receba qualquer ensinamento que seja contrário à palavra santa do nosso Senhor. Não sigam as vãs filosofias desse mundo com seu sistema de valores caído, não ouçam pregadores que não pregam o verdadeiro evangelho do Senhor Jesus Cristo; não se submetam a estes. Eles são pervertidos e querem perverter a fé de vocês...
3. Busque alimentar sua fé com a palavra de Deus. Desenvolva o abito de ler a Bíblia diariamente, acompanhado sempre com orações. (Ler a Pergunta e resposta 157 do CMW).
4. Seja grato a Deus pelo seu amor e misericórdia para com sua vida. Pois em Cristo, ele te escolheu, chamou eficazmente e o regenerou pelo seu Espírito Santo lhe dando a vida eterna.

Soli Deo Glória!


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Conhecimento de Deus

As Escrituras orientam-nos a conhecer e prosseguir em conhecer a Deus (Os 6.3). Na carta aos Romanos, Paulo afirma que o que de Deus se pode conhecer, até mesmo seus atributos e sua divindade estão disponíveis ao conhecimento dos homens através da criação. No entanto, falamos de Deus como absconditus et revelatus, ou seja, um Deus que ao mesmo tempo em que está escondido do conhecimento do homem se revela para o mesmo.
Entender Deus como escondido e revelado ao mesmo tempo implica ter a consciência de que Deus sendo totalmente Outro, infinito e perfeito em seu ser, está muito além da capacidade e da razão humana que é finita e imperfeita. Todavia, aprouve a Deus revelar-se ao homem de duas formas distintas: 1). através da criação, uma revelação geral, isto é, disponível a toda humanidade; 2). através de Cristo e de Sua Palavra, uma revelação especial a qual Ele revela a homens escolhidos pela sua vontade.
A revelação geral não pode dá ao homem um conhecimento pleno e preciso da pessoa de Deus. Ela apenas serve para impingir na mente humana as impressões da divindade, fornecer uma indicação da existência de um Deus criador. Sua função é despertar o sensus divinatis gravado na alma humana. Esse senso da divindade não só torna o ateísmo impossível e irracional como também serve para tornar o homem condenável pelo fato de que tendo esse conhecimento de Deus ao seu dispor e desprezá-lo, também adultera a verdadeira adoração que a Deus é devida, adorando um deus imaginado, seja este construído a partir de elementos palpáveis ou pela engenhosidade da mente que lhe atribui uma natureza e caráter destoante daquele revelado na Escritura e conforme os moldes de um pensamento eivado de equívocos e imprecisão.
Sendo o homem um ser totalmente depravado em sua natureza, Deus em sua soberana vontade e propósito decretou revelar a si mesmo a alguns homens de uma forma especial dispondo a sua Graça, meios e métodos para que eles cheguem a um conhecimento necessário de Seu Maravilhoso Ser. Esse conhecimento que o homem pode ter não é pleno, mas suficiente para que o finito e imperfeito abarque uma noção do infinito e perfeito que é Deus. Não podemos conhecer a Deus na sua essência (Quid), mas podemos conhece-Lo através de seus atributos (Quali). A criatura humana não pode alcançar tal conhecimento se Deus não lhe comunicar pela sua Santa Palavra. Nenhum indivíduo pode arrogar-se de que de per si adquiriu ou construiu conhecimento sobre Deus. Só conhecemos de Deus aquilo que Ele nos quis revelar a seu respeito. Qualquer conhecimento de Deus que carregue o status de ter sido construído ou adquirido com a capacidade da razão humana terá a pecha de ser uma falsificação da mente do homem caído, que na fuga do Criador e por causa da sua natureza corrompida cria um deus ou imagens defeituosas de Deus conforme a fatuidade e devaneios de seus pensamentos. Deus não pode ser conhecido sem que haja piedade no homem, por outro lado essa piedade ou religiosidade não pode está correta se Cristo, revelação divina, não se interpor na situação do homem. Somente a Obra redentora do Messias reconcilia o homem com Deus e, essa reconciliação propicia um relacionamento mais íntimo com o Senhor.
Podemos aferir se o nosso conhecimento de Deus está coerente se ele é aquele revelado nas Escrituras e se o aplicarmos bem à sua finalidade. Para Calvino conhecimento de Deus não é apenas crer que Ele existe, mas aprendermos o que Dele nos é importa saber a seu respeito visando sua glória.
 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O Natal, O Culto e a Fé Reformada

por

Paulo R.B. Anglada

Ler Deuteronômio 4:1-2 e 12:32; Romanos 12:2; Marcos 7:7-9 e 13; Gálatas 4:8-11 e 5:1; e Colossenses 2:8,16 e 23.


Introdução


O Natal é uma festividade religiosa na qual boa parte da cristandade comemora o nascimento de Cristo. Além do dia de Natal, a festa da natividade, diversos outros dias do calendário eclesiástico, conhecidos como dias santos (holidays), foram separados pela igreja cristã medieval para comemorar eventos da vida de Jesus e da igreja. As festas mais geralmente aceitas são: a festa da Epifania (dia dos Reis), festejada no dia seis de janeiro, em comemoração à manifestação de Jesus aos três magos orientais (Mt 2:1-12); a Quaresma (46 dias entre a quarta-feira de cinzas e a Páscoa), relembrando a tentação de Jesus no deserto (Mt 4:1-11; Lc 4:1-12); a Páscoa, celebrada entre 22 de março e 25 de abril, comemorando a ressurreição de Jesus (Mc 16:1-8); a quinta-feira da ascensão, comemorada no quadragésimo dia após a Páscoa (At 1:9-10); e o dia de Pentecostes, celebrando a descida do Espírito Santo (At 2:1-11).[1]
Os católicos comemoram o Natal com uma missa — daí o nome em inglês Christmas (Christ + mass).[2] A maioria dos protestantes absorveu esta tradição católica, comemorando o Natal com um culto realizado na véspera ou no próprio dia de Natal, o culto de Natal. Muitas tradições foram sendo absorvidas por esta festividade, vindo a se constituir parte importante na sua comemoração. Exemplo: a ceia, a troca de presentes, o Papai Noel, a árvore de Natal, a montagem de presépios, encenações, decorações, músicas natalinas, etc.
A comemoração do Natal tornou-se, sem dúvida, uma tradição profundamente enraizada, não somente nas civilizações ocidentais, como até mesmo em alguns países orientais. Todos apreciamos as decorações, o feriado, os presentes e as comidas do Natal. É inegável que a época tem um certo charme, um clima especial, que chegou a ser personalizado no assim chamado espírito do Natal.
Provavelmente, a maioria de nós concordaria que as comemorações natalinas estão se corrompendo vez mais. Certamente muitos entre nós desaprovam os excessos típicos desta comemoração: a glutonaria, a bebedice, o consumismo desenfreado, etc. Mas devemos confessar que quase não podemos conceber a vida sem o Natal, sem as comemorações do Natal, sem a ceia do Natal, sem a árvore do Natal, sem os presentes do Natal, e, especialmente para alguns, sem o culto do Natal. Tão importante é o Natal para a cristandade ocidental em geral, que talvez não haja exagero em afirmar que, para a maioria de nós, a vida perderia parte da sua graça, sem as comemorações natalinas.
Por tudo o que foi dito, eu reconheço que me aventuro numa empreitada difícil. Meu propósito, com este estudo, é avaliar a legitimidade do Natal, do ponto de vista da fé reformada. Para isso, eu me proponho a investigar: 1) sua origem, 2) suas instituições, 3) o ensino bíblico sobre o assunto, 4) a posição reformada histórica com relação à sua prática; e 5) a considerar algumas implicações práticas das conclusões deste estudo para nós, como igreja e indivíduos.

ORIGEM DO NATAL

Não Bíblica nem na Igreja Primitiva

No Antigo Testamento, diversas festas ou cerimônias anuais foram instituídas por Deus, em comemoração a eventos importantes na história do povo de Israel, tais como a Páscoa, a Festa dos Pães Asmos, a Festa de Pentecostes, e a Festa dos Tabernáculos. Todas estas festividades eram tipológicas. Elas faziam parte da lei cerimonial judaica, e foram cumpridas em Cristo; sendo, portanto, abolidas na nova dispensação — com exceção da Páscoa, que foi transformada na ceia do Senhor.
Na dispensação da graça, entretanto, nenhuma festa comemorativa foi mantida ou instituída, exceto a ceia do Senhor. Não existe texto algum no Novo Testamento, instituindo a comemoração do nascimento de Cristo; como há com relação à sua morte e ressurreição: a ceia. Na verdade, embora o nascimento de Cristo seja um fato histórico inegável, não há como determinar o dia, o mês, ou mesmo o ano em que o fato ocorreu.
O Novo Testamento registra apenas que a ressurreição de Jesus foi no primeiro dia da semana (cf. Mt 28:1; Jo 20:1), também chamado de dia do Senhor (ver Ap 1:10), o domingo (de Domini), dia em que a igreja primitiva costumava reunir-se para adoração pública a Deus (ver At 20:7 e 1 Co 16:2).
Também não há nenhum registro na igreja primitiva, anterior ao terceiro século, da comemoração da natividade de Cristo[3], assim como não há registro, neste período, de comemoração dos demais dias santos mencionados acima. A Enciclopédia Católica reconhece que “o Natal não estava entre as festas mais antigas da Igreja,” visto que “Irineu e Tertuliano a omitem nas suas listas de festas”[4].

Origem Pagã

Qual é, então, a origem da festa natalina? As evidências históricas apontam para as festividades pagãs em comemoração ao nascimento do Sol Invictus (Sol Inconquistável), o triunfo do sol sobre as trevas, que marcava o solstício, isto é, o início do fim do inverno no hemisfério norte.
Muitos povos antigos adoravam o sol. Porque acreditavam que o inverno diminuía o poder divino do sol, permitindo a manifestação dos poderes das trevas, eles comemoravam o solstício, quando os dias começam a ficar mais longos. As festividades deste período davam boas vindas ao retorno do sol acendendo-se velas e fogueiras para fortalecê-lo e expulsar o inverno.
Antes que houvesse qualquer celebração natalina cristã, já era comemorado na Escandinávia, no mesmo período, a grande festa de Yule, celebrando o nascimento do sol de inverno. Nos países de fala latina, havia, entre 17 e 24 de dezembro, as festividades conhecidas como Saturnalia — um culto ao deus Saturno, da agricultura, que encerrava-se com um feriado no dia 25. Outras festividades populares em comemoração ao deus Sol eram realizadas no mesmo período, algumas no próprio dia 25 de dezembro, como é o caso do culto a Attis, introduzido no império romano, proveniente da Frígia.[5] Segundo uma das tradições pagãs relacionadas ao solstício, uma tora de madeira era lançada ao fogo ao cair do sol do dia 24 de dezembro, a qual reencarnava na manhã seguinte em um nova árvore.

Instituição na Igreja Cristã

Não podendo erradicar estas comemorações pagãs, a cristandade as absorveu, aplicando-as à encarnação de Cristo. Assim, começou a ser praticada a festa da natividade, algum tempo antes de 336, vindo a ser oficialmente instituída, de acordo com Usener, no ano de 353 ou 354, pelo Papa Liberius (352-366),[6] sendo escolhida a data de 25 de dezembro, com vistas a substituir as comemorações pagãs mencionadas, realizadas nesse período e suprir uma lacuna inadmissível no calendário eclesiástico da época. “Temos uma Missa para cada santo, mas não há uma Missa para Cristo,” teria dito Liberius, decretando a missa da natividade de Cristo.[7]
Eis o que diz a Enciclopédia Delta Larousse, no artigo sobre o Natal:
A comemoração da data do nascimento de Jesus, no dia 25 de dezembro não obedece, como se poderia crer, a uma indicação precisa contida nos Evangelhos. Tal indicação não se encontra no Novo Testamento, sendo pois arbitrária a data da festa máxima da cristandade. Várias tem sido as suposições sobre a razão de tal escolha. A festa do solstício, consagrada ao sol na Roma pagã, celebrava-se a 25 de dezembro. Nos primeiros tempos do cristianismo, substituíram-se as festas pagãs, pelas comemorações da nova religião.[8]
A prática de assimilação de ritos pagãos tem sido, de fato, prática comum da Igreja Católica. A cristianização forçada de alguns povos, tem resultado em sincretismos religiosos comuns à igreja romana. No Brasil mesmo, as divindades e festividades africanas e populares são admitidas e até mesmo encorajadas pela igreja católica.

Conclusão

Não há precisão quanto aos detalhes das tradições mencionadas. É verdade também, por outro lado, que os evangélicos não comemoram o Natal com o sentido pagão original. Contudo, somos obrigados a admitir, com base na sua origem e instituição, que a comemoração do Natal não é prática bíblica. É, sim, uma festividade de origem pagã, revestida de roupagem cristã, decorrente da tendência sincretista típica da Igreja de Roma.

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Sobre o autor: O Rev. Paulo Anglada é ministro presbiteriano há mais de 25 anos e conhecido pregador brasileiro. Sua formação teológica inclui um bacharelado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte (Recife/PE), mestrado em Teologia pela Potchefstroom University (África do Sul) e doutorado em Ministério pelo Westminster Theological Seminary (EUA). Além de pastor há vários anos da Igreja Presbiteriana Central do Pará, o Rev. Anglada tem atuado no ensino de diversas disciplinas em seminários nacionais e internacionais, nas áreas de Grego Bíblico, Hermenêutica, Manuscritologia, Novo Testamento, Teologia Sistemática e Pregação. Ele é ainda presidente da Associação Reformada Palavra da Verdade e vice-presidente da Junta de Educação Teológica do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. Além de diversos livros, o Rev. Anglada é autor também de diversos artigos em obras coletivas e revistas teológicas.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Depravação Total: O Efeito Do Pecado No Homem


O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. A criatura mais sublime do Criador foi coroada com atributos, capacidades, volição, sentimentos e intelectualidade que refletem o ser de Deus. A ele foi conferida uma liberdade tal que chamamos de livre arbítrio. Antes da queda, o homem tinha total liberdade para dominar sobre as demais criaturas, gerenciar e usufruir das coisas criadas. Essa liberdade (livre arbítrio) lhe garantia, também, dominar seus sentimentos, aptidões e vontades. Seus desejos, pensamentos, palavras e ações eram completamente puros e por isso ele desfrutava de um relacionamento direto e estreito com Deus, de modo que tudo isso satisfazia a vontade divina.

O livre arbítrio do homem lhe permitia agir livremente de acordo com a sua própria vontade e determinação. Contudo, Deus lhe traçou consoante essa liberdade que lhe dera uma única restrição: não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal que estava no meio do jardim (Gn 2.16,17). Dessa obediência dependia a liberdade humana (livre arbítrio). Para continuar sendo um ser totalmente livre no seu agir e na sua vontade, o homem precisava cumprir essa ordenança divina, a qual chamamos Pacto de Obras. Tendo quebrado o pacto que Deus firmara com ele, o homem caiu da Graça e deixou de ser totalmente livre em suas ações, volição e intelecto para tornar-se escravo do pecado (Jo 8.34). A essa queda, a Teologia Reformada denomina de Depravação Total, porém esse termo é muito mal compreendido, seja pelos pelagianos que não aceitam a doutrina do pecado original, seja pelos semi-pelagianos e arminianos que insistem que restou no homem um pouco de bem depois da queda e acham que esse termo soa demasiadamente desagradável, ou até mesmo pelos próprios reformados para quem a doutrina ficou clara.

Quando afirmamos que o ser humano é totalmente depravado em seu ser, não estamos dizendo que os homens são tão ruins o quanto poderiam ser e o mais possivelmente imprestáveis. Dizer isso seria uma incoerência bíblico-teológica e uma negação das doutrinas da Graça e da imagem e semelhança de Deus. A Graça comum de Deus está sobre todos os homens e conforme ela, Deus faz com eles ajam muitas vezes positivamente, ou seja, fazendo coisas boas e refletindo a sua imagem e semelhança.

A depravação total consiste em dizer que após a queda, o pecado entrou no homem de modo que todos os atributos e faculdades humanos tornaram-se corrompidos (Rm 5.12). O salmista expressa categoricamente esse estado de corrupção do gênero humano dizendo: “Não há parte sã na minha carne, por causa da tua indignação; não há saúde nos meus ossos, por causa do meu pecado.” (Sl 38.3, ARA). O homem tornou-se tão corrompido que nem mesmo suas boas ações podem está isentas da contaminação e influência do pecado, que o profeta Isaías diz: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo de imundícia... (Is 64.6, ARA) e o sábio Jó, sobre o homem, afirma claramente: “Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém!”(Jó 14.4, ARA).

Portanto, com o advento do pecado pela própria voluntariedade do homem (Adão), este não apenas passou a ser mortal e depravado em todo o seu ser, como também transmitiu a corrupção e a morte a toda humanidade (Sl 51.5; Rm 5.12). Essa corrupção total do gênero humano afetou aquela liberdade, chamada de livre arbítrio que ele possuía antes da queda, de tal maneira que o fez escravo do seu pecado. O homem não pode mais deixar de ser pecador, seu livre arbítrio agora se tornou escravo arbítrio, sua liberdade total, passou a ser uma livre agência. Isso significa dizer que não há nada que o homem faça agora, mesmo de acordo com sua livre vontade e voluntariedade que não esteja eivado pelo seu pecado. Dessa forma, ele só pode ser salvo e agradar perfeitamente a Deus através dos méritos, da obediência e do sacrifício vicário de Cristo.

 

Autor: Antonivaldo de Jesus Silva 

 

 

 

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