sexta-feira, 17 de julho de 2020
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
O pecado: a corrupção da carne e a solução para o seu problema
No texto
da carta aos hebreus a Escritura nos afirma que devemos seguir a carreira que
nos está proposta, nos desembaraçando do peso e dos percalços que nos impedem
de prosseguir da melhor forma. O pecado é o grande embaraço na nossa caminhada
que nos força a lutar com intensa perseverança (Hb 12.1,2).
O Breve
Catecismo nos diz que o pecado “é a falta de conformidade com a lei de Deus ou
qualquer transgressão dessa lei” (BCW, 14). A falta de conformidade com a lei e
vontade santa de Deus é manifesta por meio de nossos atos, disposição e estado.
Todas as nossas faculdades estão corrompidas. No livro do profeta Isaías, o
texto Sagrado nos assevera que as nossas obras de justiça são como trapos
imundos diante de Deus (Is 64.6). O pecado nos tornou como imundos e por essa
razão nem mesmo as nossas obras de justiça podem nos garantir a salvação nem
ser o mérito ou método para alcançarmos a graça redentora. As raízes do pecado
estão profundas no coração humano.
A queda
teve o seu princípio no egoísmo do homem. Os nossos pais edênicos pecaram em
virtude do seu egoísmo. O homem peca porque deseja fazer a sua própria vontade
e não fazer a vontade de Deus. Quando olhamos para o relato bíblico percebemos
que Adão e Eva quebraram todos os mandamentos da lei de Deus que estavam
implícitos e bastante claros no seu coração. Eles não reconheceram que há um só
Deus; constituíram um outro deus (a serpente e a si mesmos); tomaram o nome de
Deus em vão; descumpriram a observância de guardarem-se para o Senhor; não
observaram que Deus era o seu superior; transgrediram a lei e trouxeram a morte
como resultado para eles mesmos e para toda a sua posteridade, quando não
fizeram a vontade de Deus e desejaram o que não deveriam ter desejado quebrando
todos os princípios dos mandamentos de Deus.
Assim, vemos que o pecado é a ausência de amor a Deus. A compulsão
da carne nos conduz à depravação, ela nos leva a perverter a vontade de Deus.
No Getsêmani, Jesus alerta os seus discípulos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito,
na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”
(Mateus 26.41). O pecado atingiu a consciência moral de todo ser
humano. O homem comete atos, pensa, deseja e nutre disposições contrárias à
vontade Santa e Soberana de Deus. Essa é uma questão universal. Deus nos revela
pela Sua Palavra que o homem tem uma necessidade de regeneração, expiação e
arrependimento pelo seu pecado. Todos aqueles que não receberam a Cristo que
nos é pregado pelo Evangelho da Graça estão num estado de condenação, debaixo
da ira de Deus.
Todos os homens são pecadores. A história nos
relata que o ser humano tem buscado uma reconciliação com Deus. Ele realiza
cultos, sacrifícios, cria religiões e constitui o seu próprio deus como aquele
que realiza a sua vontade e lhe traz uma solução para o seu problema. Este
testemunho que a história e a consciência humana nos relatam demonstra que o
homem, sem qualquer exceção, possui uma natureza corrupta.
A Escritura Sagrada nos declara que o homem por
natureza é filho da ira (Ef 2.3). A morte como resultado do pecado veio a todo
ser humano independente da preferência pessoal, da consciência adquirida ou
pelo grau do seu poder intelectual (Rm 5.12-14). O Salmo 51 nos prova que
nascemos pecadores. O que podemos dizer sobre uma criança que morre logo após
alguns minutos ou dias de ter sido concebida? Ela sofre a pena que o pecado
trouxe para a raça humana (Gn 2.17). Todos os homens possuem a natureza
pecaminosa e condenada por conta do pecado.
O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus,
por isso, Deus se ira com o homem que transgride a Sua lei e não pratica, de
maneira necessária, o atributo de santidade nesta semelhança natural.
A solução para o problema que o pecado nos trouxe é
sermos alcançados pelo Deus da aliança. É sermos redimidos pelo sangue de
Cristo. A esperança para o homem pecador é ser resgatado do seu fútil
procedimento pelo precioso sangue de Cristo e pelo seu sacrifício perfeito (1Pe
1.18,19). O mérito da nossa salvação não está em nós mesmos e sim em Cristo. A
salvação só pode ser pela graça. As obras humanas não podem garantir a redenção
do pecador. Caso isso fosse possível, a graça seria anulada. A salvação e a
redenção do pecador são garantidas pelo mérito de Cristo, que na cruz morreu pelos
seus eleitos, a fim de lhe conceder a graça divina. É pelo seu sacrifício
perfeito e não pelos feitos que o homem realiza (Ef 2.8-10).
Por Presb. Antonivaldo de Jesus Silva
domingo, 26 de janeiro de 2020
A oração é um exercício espiritual para alcançarmos frutos
No livro “O poder através da oração”,
E.M. Bounds escreve que Jonathan Edwards argumenta que se alguns cristãos, que
muitas vezes, se queixam bastante dos ministros tivessem trocado esses lamentos
pelas humildes e fervorosas orações e aplicado o seu poder de clamar a Deus
pelos seus ministros, muito mais sucesso teriam alcançado. A oração é a chave
do sucesso para a igreja. Bounds faz uma relação bastante estreita entre a
oração das ovelhas pelo seu pastor e a oração do pastor pelas suas ovelhas. Essa
prática não deve ser tratada como se fosse algo sem importância. Talvez, alguns
ministros percebam que pedir a sua igreja a oração em seu favor, seja algo que
os tornem menos importantes, lhes desaprovem ou depreciem, da mesma forma como,
enganosamente, entendem que a sua eloquência, oratória, conhecimento, cultura,
capacidade de estruturar bons esboços de sermões sejam mais importantes do que
a oração pela sua igreja e ovelhas.
A oração é essencial para a
igreja. Ela é uma necessidade urgente. A oração é um meio de graça. É por meio
dela que podemos nos tornar mais santos, mais edificados, pois ela é elementar
para que entendamos a mensagem da Palavra e para que roguemos a Deus que nos
aplique ao coração a Palavra revelada. Somente pela oração podemos pedir a Deus
que torne a Revelação clara para nós. A igreja pode ouvir a pregação mais clara,
atraente e bem estruturada, mas sem a oração ela jamais poderá ser entendida. O
pastor pode usar bem a sua oratória, o poder do seu intelecto, o talento e a
persuasão, além de ter estudado para pregar de forma eficiente. Todavia, se a
igreja não ora pelo ministro e o ministro não ora pela pregação e pelas suas
ovelhas, todo o tempo e recursos são perdidos e a edificação torna-se distante.
O Evangelho só pode ser propagado e produzir frutos quando a igreja o faz em
oração.
O Senhor Jesus nos ensina que “Bem-aventurados são os humildes de
espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3). Como humildes de espírito devemos reconhecer
que precisamos do nosso Deus. Cristo
reconhece o coração que é dedicado à oração, por isso Ele admoesta os seus
discípulos que não estavam orando: “E,
voltando para os seus discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então nem
uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em
tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.
40,41).
A oração não é apenas
necessária para a pregação da Palavra. Ela é necessária para que sejamos
poderosamente salvos e para nos tornar perfeitos e preparados para as boas
obras. A liderança da igreja precisa ser afeiçoada ao exercício espiritual de
orar por si mesma, pela igreja, pela pregação do Evangelho e por suas ovelhas. No
livro de Atos do Apóstolos, Pedro afirma que os pastores não podem deixar de
tratar a oração e o ministério da Palavra com grande responsabilidade e seriedade
(At 6.4). O apóstolo Paulo foi grande um exemplo de um pregador que orava pelas
suas ovelhas. Na carta aos Colossenses, Paulo nos relata que Epafras, ministro
da igreja de Colossos era um pastor que intensamente orava por aquela igreja.
Portanto, a oração é uma
responsabilidade distinta da liderança e da igreja. Bounds nos afirma em seu
livro: “homens de oração poderosa são
homens de grande poder e moldam as coisas. Seu poder com Deus tem o passo de um
conquistador”. Se quisermos ser
poderosamente salvos, homens perfeitos e preparados para as boas obras,
produzir e alcançar frutos com a pregação do Evangelho, devemos ser dedicados
ao exercício excelente da oração.
Por Presb. Antonivaldo de Jesus Silva
sábado, 2 de novembro de 2019
O que a Escritura Sagrada nos diz acerca da morte e o que ocorre depois dela?
Perguntas e respostas sobre a morte
O que é a morte?
É a separação do homem de si mesmo. O ser humano é uma unidade integrada constituído de corpo e alma. A morte causa essa separação. Com a morte a parte material é sepultada, mas a imaterial continua existindo: “e o pó volte a terra, como era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 7.29 – ver 2 Co 5.8; Fp 1.23; Lc 16.19-31).
Morreu, acabou?
Não. Haverá uma ressurreição final por meio de Cristo: “Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio à ressurreição dos mortos.” (1 Co 15.21 – ver 1 Ts 4.14; Jo 11.25,26).
Por que o homem morre?
Por causa da queda no pecado do primeiro homem: “Porquanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm 5.12 – ver Gn 2.16,17; 3.1-24).
O que acontecerá se o homem morrer na condição de pecador?
O homem terá que enfrentar o juízo divino: “... o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo." (Hb 9.27 – ver 2 Co 5.10; Jo 5.29).
Qual a natureza desse juízo?
“..lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” (Ap 21.8b – ver Mt 25.41).
Como escapar deste terrível juízo?
Buscando refúgio em Cristo. Por que? Porque “quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (Jo 3.18). Cristo também diz: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” (Jo 5.24).
O que Cristo fez para nos livrar do juízo?
“Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados...” (1 Pe 2.24 - ver 1 Pe 3.18; 2 Co 5.21). “... ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Is 53.5). “...Jesus, que nos livra da ira vindoura.” (1 Ts 1.10).
A única segurança que temos quer seja vivendo ou morrendo só pode ser encontrada em Jesus Cristo (Rm 14.8). Portanto, arrependa-se de seus pecados e creia nele (Mc 1.14,15).
Por Rev. Ronaldo Soares dos Santos
Por Rev. Ronaldo Soares dos Santos
segunda-feira, 11 de junho de 2018
O Prefácio dos Dez Mandamentos
“Então,
falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da
terra do Egito, da casa da servidão”
(Êx 20.1-2).
Este prefácio ensina-nos três
importantes verdades as quais devem motivar o povo de Deus para viver uma vida
de santidade, submissão, louvor e gratidão a Ele (Deus).
A primeira verdade que este prefácio
nos ensina é o fato de Deus ter se revelado de modo especial ao seu povo: “Então, falou Deus
todas estas palavras”. Isso é
magnífico! O Deus Eterno, o criador de todas as coisas, quis se revelar ao seu
povo, tornar-se conhecido a ele. Isso revela sua graça. Afinal, sem a
iniciativa divina, jamais saberíamos qualquer coisa sobre Sua pessoa, sobre nós
mesmos e o mundo em nossa volta, viveríamos uma vida sem significados e sem qualquer
perspectiva quanto ao futuro. Contudo, Deus graciosamente se mostra ao seu povo
e revela sobre seu caráter, sua vontade e seu plano de salvação. Isso é graça.
A segunda verdade que este prefácio
nos ensina tem haver com a maneira como Deus se apresenta ao seu povo. Era
comum os reis e imperadores iniciarem seus editos ou alianças com seus nomes.
Assim, ao se revelar ao seu povo, Deus diz quem Ele é “o SENHOR, teu Deus.” Com esta expressão, Deus se revela como sendo
o Deus pactual, aquele que é auto-existente, imutável em seu Ser e fiel
cumpridor de suas promessas. Essa expressão também aponta para seu senhorio.
Deste modo, ele prepara o seu povo para que se submeta aos seus mandamentos. Isso
também é graça. Primeiro porque ele quer que o seu povo o conheça. Em segundo
lugar, porque ele livra seu povo da tirania do rei do Egito para fazer parte de
seu Reino majestoso e se submeter ao seu senhorio gracioso.
A terceira verdade que este prefácio
nos ensina diz respeito a Deus como o Redentor de seu povo. “... que te tirei da
terra do Egito, da casa da servidão”. Nos estudos do Breve Catecismo de
Westminster o teólogo Leonard T. Van Horn afirma categoricamente :“O livramento de Israel da casa da servidão tipifica
para o crente o livramento espiritual do pecado, de Satanás e do inferno. Nosso
livramento espiritual é uma coisa maravilhosa, uma misericórdia pela qual
deveríamos estar louvando a Deus continuamente.”[1]
Que Deus gracioso e misericordioso
nós servimos! O Deus que se revelou de forma especial ao seu povo escolhido. O
Deus pactual, auto-existente e imutável em seu Ser, o qual na história tem
cumprido cada uma de suas promessas para a sua própria glória e em benefício de
seu povo. O Deus redentor que em Cristo Jesus livrou seu povo do pecado, de
Satanás e do inferno “e transportou para
o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13).
Como não amar intensamente
a este Deus (Dt 6.5)? Como não louvá-lo fervorosamente (Rm 11.33-36)? Como não
se submeter e obedecer aos seus santos mandamentos humildemente (Jo 14.21)? E
como não viver para a glória desse Deus gracioso (Is 43.7)?
Por Rev. Ronaldo Soares dos Santos
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
CUIDADO COM A APOSTASIA
Série:
Exposições nos Salmos
Por Pr. Ronaldo Soares dos Santos
Sermão
Pregado em 29/01/2017
TÍTULO:
CUIDADO COM A APOSTASIA.
TEXTO:
Salmo 1
INTRODUÇÃO:
Amados irmãos em Cristo Jesus, em
várias ocasiões a Bíblia nos adverte quanto ao perigo da apostasia. Mas o que é
apostasia? Em termos simples, é o abandono da fé. Um apóstata é aquela pessoa
que por um tempo recebeu a Palavra do Senhor, professou sua fé em Deus,
participava dos cultos, dos sacramentos etc., todavia, depois de algum tempo,
tal pessoa sufocada pelo mundanismo começa a se afastar das coisas de Deus e
passa a pôr em cheque os absolutos da Palavra, chegando finalmente a abandonar
definitivamente sua confiança no Senhor como seu Salvador. O homem vira as
costas para Deus e passa a viver em rebeldia a sua Palavra.
ELUCIDAÇÃO:
Este Salmo nos alerta quanto ao
cuidado que devemos ter com a apostasia, pois é exatamente num contexto de fé
que surgem os apóstatas. Muitos deles convivem com os justos na congregação
como se fosse um deles, contudo, em seus corações são rebeldes à lei de Deus.
Eles sutilmente tentam confundir a mente dos justos para que sigam também seus
pensamentos ímpios. O salmista exorta os justos para que não sigam o caminho
deles, instruindo para sigam a lei do Senhor, meditando nela dia e noite.
Portanto,
neste salmo são apresentados dois caminhos: o caminho da fé, fundamentado na
lei de Deus e, o caminho da apostasia, fundamentado no ateísmo. Cada um desses
caminhos leva para um fim. Os que tem prazer na lei de Deus são conhecidos e
amados pelo Senhor, os que desprezam a Deus e os seus mandamentos sofrerão o
juízo e perecerão para sempre.
Diante
disto, pergunta-se:
Como
evitar o caminho da apostasia e preservar a fé no Senhor?
I- NÃO FAZENDO TRÊS COISAS ( Sl 1.1).
1.
OS JUSTOS NÃO DEVEM ANDAR NO CONSELHO DOS ÍMPIOS. O verbo andar se refere às
pessoas que seguem o caminho contrário ao do Senhor. Vemos muito no Antigo
Testamento as frases: “andou o povo atrás dos ídolos; andou Israel atrás dos
falsos deuses”, etc. A palavra “conselho” significa ensino ou opinião. Já o
termo “ímpio” significa aquele que se levanta contra Deus e sua lei. Portanto,
“seguir o conselho dos ímpios” significa alguém que deixa de seguir os ensinos
da palavra de Deus para seguir a opinião dos inimigos de Deus.
Aplicação:
Se eu perguntasse a cada um de vocês
se desejariam trocar os ensinos de Cristo pelos ensinos dos ímpios, certamente
eu ouviria um sonoro NÃO! Todavia, eu tenho que lhes informar que muitas vezes
temos feito isso na prática. Como? Preste atenção... você acha que o domingo é
como outro dia qualquer e, portanto, você pode negligenciá-lo não guardando?
Você acha que não tem nada demais um cristão se casar com um descrente?
Você defende o feminismo, as drogas e o aborto? Você
defende, aprova ou acha normal o homossexualismo ou qualquer relação sexual
fora do matrimônio entre um homem e uma mulher? Você acha que pode contar uma
mentirinha como meio para justificar o fim? Você acha que na relação familiar
não existe funções e papeis distintos? Ou seja, que o homem tem a obrigação de
amar sua esposa como Cristo amou a sua igreja, que ele tem o papel de cabeça,
provedor físico e espiritualmente do lar? E que a mulher no lar deve submissão
a seu esposo no Senhor e que ela desempenha o papel de auxiliadora idônea? Que
os filhos devem ser educados nos caminhos do Senhor e devem honrar seus pais
como o primeiro mandamento com promessa? Se você concordou com qualquer um
desses pensamentos contrários as Escrituras, pode ter certeza que em certa
medida, você se associou com os ímpios, trocando o ensino da palavra de Deus
por ensinos mundanos. Isso é um passo largo para apostasia. Atentem para a
palavra de Deus: “NÃO ande no conselho dos ímpios”!
2.
OS JUSTOS NÃO DEVEM DETER-SE NO CAMINHO DOS PECADORES. A palavra “deter-se”
significa estar parado para fazer algo. Refere-se a uma pessoa que está
indecisa entre o mundo e a igreja. Ele não sabe que caminho seguir. Mas por
fim, se não arrepender-se, seguirá os pecadores.
Aplicação:
Desde a queda o homem tem procurado
seguir o caminho contrário à vontade do Senhor. Somente aqueles que foram
regenerados pelo Espírito Santo seguem a Cristo. Uma das investidas dos
pecadores contra os justos é fazê-los pensar que eles não precisam ter um
Senhor sobre suas vidas. Satanás foi o primeiro a fazer isso. No Éden, ele
propôs ao primeiro casal uma independência do Senhor quando tentou Eva a comer
do fruto que Deus havia proibido. O resultado é que ambos compraram essa ideia
e se rebelaram contra o Senhor ao comerem do fruto. Muitos cientistas modernos
têm seguido o exemplo de Satanás ensinando a autonomia do homem. Alguns dizem
que “a fé em Deus é a muleta dos fracos”, outros alegam que é “a religião é o
ópio do povo”... Todas essas frases denotam a ideia de que crer ou confiar em
Deus e se submeter a sua palavra, será sempre um sinal de fraqueza e
incompetência das mentes fracas que buscam anestesiar suas frustações criando a
ideia de um Deus que os ampara. Para os teóricos ateus, os homens devem ser
senhores de si mesmos e protagonistas da história e que, portanto, não precisam
da muleta religiosa para viver. Esse pensamento ímpio tem adentrado nas igrejas
com uma roupagem evangelical e corrompido a fé de muitos. Um exemplo claro é a
teologia da prosperidade pregada por vários líderes evangélicos e aceita por
muitos membros. Essa teologia tem trazido muita confusão à mente de boa parte
dos evangélicos. Esse pensamento teológico coloca o homem no lugar de Deus e
Deus no lugar do homem. Se tais pessoas não se arrependerem e voltar-se para o
Senhor, certamente serão rejeitados para sempre. O alerta do salmista soa como
um alerta: “NÃO se detenham no caminho dos pecadores”. Não coxeiem entre dois
pensamentos, fujam desses ensinos e volte-se para palavra de Deus!
3.
OS JUSTOS NÃO DEVEM SE ASSENTAR NA RODA DOS ESCARNECEDORES. Escarnecer aqui é o
mesmo que zombar. É a ideia de depreciar o outro. Dentro deste contexto, a
imagem é de pessoas reunidas e arrogantemente fazem zombarias contra Deus como
se ele fosse uma farsa, uma figura caricata e desprezível. No Salmo 73, o
salmista apresenta essa zombaria contra Deus: “Contra os céus desandam a
boca, e a sua língua percorre a terra. E diz: como sabe Deus? A caso, há
conhecimento no Altíssimo? (Sl 73.9,11).
Aplicação:
Meus irmãos, não são raras as
situações que vemos pessoas brincando com o nome de Deus. Inclusive, muitos
cristãos em tom de brincadeira tem quebrado o terceiro mandamento: “Não
tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por
inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êx 20.7). Muitos fazem piadas com
as coisas santas do Senhor. É bom lembrar que comete pecado tanto quem profere
a piada como quem participa rindo ou simplesmente ouvindo tais pessoas. Devemos
ter muito cuidado com isso irmãos. O Senhor diz claramente que “não terá por
inocente quem tomar o seu nome em vão”. Ou seja, ele trará juízo sobre a vida
de quem pratica tais coisas. Levem Deus a sério, considerem sua palavra, não se
associem com os escarnecedores.
Como
evitar o caminho da apostasia e preservar a fé no Senhor?
II. Tendo prazer na lei do SENHOR (vs. 2).
1.
OS JUSTOS DEVEM TER PRAZER NESSA LEI. Ter prazer na lei de Deus é deseja-la
como o principal alimento – “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar!
Mais que o mel à minha boca” (Sl 119.103). É tê-la como prioridade. “Trabalhai,
não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna.” (Jo
6.27a)
Aplicação:
Vivemos num mundo de muitas vozes
(ensinos) as quais apontam para vários caminhos. Mas a única voz que devemos
seguir é a voz de Deus revelada em sua Palavra escrita. A declaração dos
discípulos de Cristo é verdadeira: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as
palavras da vida eterna” (Jo 7.68a). Nesse mesmo pensamento o salmista
também diz: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus
caminhos” (Sl 119.105). Portanto meus irmãos, a única maneira de seguirmos
na direção certa, é termos a orientação da Palavra de Deus registrada na Bíblia
Sagrada. Mas, para ouvi-la, devemos lê-la regularmente com apreço. “Quanto
amo a tua lei! É minha meditação todo dia!” (Sl 119.97).
Como
tem sido sua leitura bíblica? Você tem gasto tempo apreciando a lei de Deus?
Quer fazer um teste de como está o seu nível de apreço pela palavra de Deus?
Compare o tempo que você gasta com whatsapp, facebook, instagram e etc. com o
tempo que você dedica lendo a Bíblia. O resultado é simples, aquilo que você
gastar mais tempo revelará qual tem sido sua fonte de maior prazer.
Como
evitar o caminho da apostasia e preservar a fé no Senhor?
2.
OS JUSTOS DEVEM MEDITAR DIA E NOITE NESSA LEI. O termo “meditar” é o mesmo que
ruminar. A ideia aqui é de ler as Escrituras e reler de forma cíclica. Ou seja,
ler a Palavra de Deus constantemente, regularmente.
Aplicação:
É impressionante como muitas pessoas
alegam ter experiências espirituais com Deus sem pelo menos gastar tempo lendo
sua Palavra. Que Deus elas conhecem? Certamente não é o Deus da Bíblia. Embora
a obra da criação e os reflexos da imagem de Deus presente no homem deem sinais
de sua existência, contudo, ele só pode ser conhecido salvificamente em sua Palavra
acompanhada pela ação do Espírito Santo (Ler a C.F.W cap. I.I). É na Bíblia que
conhecemos obras de Deus, seus atributos e seu plano de salvação para com seus
filhos. Portanto, todo conhecimento a parte das Escrituras não passa de
misticismo. Ainda mais, quem despreza o estudo sério da Palavra de Deus se
torna uma preza fácil dos falsos mestres. Portanto meus irmãos leiam a Palavra
do Senhor, acompanhada de oração para que o Espírito Santo ilumine seu
entendimento a fim de que você compreenda as maravilhas da sua Lei. Faça um
propósito de Ler a Bíblia todos os dias.
O
que acontece quando os justos se alimentam da lei do SENHOR?
II- Eles são bem-aventurados (vs. 3).
1.
ELES TÊM VIDA PERENE – “É como árvore plantada junto a corrente de águas”.
Aplicação:
Cristo é a água da vida, aqueles que
bebem dele, nunca mais terão sede ( Jo 4.13-14). Não somos capazes de nos
nutrir nem de nos sustentar por nossa própria conta, precisamos estar
arraigados em Cristo e nos alimentar do seu poder espiritual.
2.
ELES FRUTIFICAM – “... que no
devido tempo dá o seu fruto”.
Aplicação:
Somente estando em Cristo, à videira
verdadeira, é que podemos dar fruto: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem
permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis
fazer” (Jo 15.5).
3.
ELES VIVEM COM PROPÓSITO – “... e tudo quanto ele faz será bem sucedido”.
Aplicação:
A vida sem Cristo é vazia, efêmera e
confusa. No entanto, aqueles que estão em Cristo, suas vidas tem sentido,
direção e certezas. O sentido da vida é contemplar a glória de Cristo. Pela
graça de Deus Já vislumbramos essa glória, mas não plenamente por causa da
corrupção do pecado ainda presente em nós. Todavia, na consumação de todas as
coisas, quando o nosso corpo de pecado se revestir de um novo corpo,
completamente livre do pecado, finalmente veremos o brilho da glória de Cristo
em seu esplendor. Óh! Que dia glorioso será este!
E
os apóstatas? Qual será seu fim?
III-
Diferentemente dos justos, eles não tem vida. (vs. 4).
ESTÃO
MORTOS ESPIRITUALMENTE, SEGUINDO APENAS O CURSO DESTE MUNDO. “São como a
palha que o vento dispersa” (vs. 4; ver Ef 2.2). Estão perdidos como uma
folha seca jogada pelo vento de um lado para outro. Andam perdidos, sem
direção, alienados de Deus...
Aplicação: Meus
irmãos, não invejem a vida dos ímpios. Não os imitem! Não sigam seus conselhos!
Eles não passam de folhas secas. Se você quiser ser como eles, acabará como
eles. Os dois pontos a seguir revela como será o fim dos ímpios.
1.
SERÃO JULGADOS E CONDENADOS. “Não prevalecerão no juízo” (vs. 5a). O
termo “prevalecer” é o mesmo que se erguer, ficar em pé.
Aplicação:
Agora, os ímpios podem até querer se
orgulhar, levantar seu queixo e empinar seu nariz como símbolo de sua
arrogância. Por enquanto, eles não querem se submeter à lei de Deus e resistem
ao Senhorio de Cristo. Contudo, quando o dia do juízo chegar, todos se
prostrarão diante daquele que “Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome
que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho,
nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo
é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).
2.
SERÃO BANIDOS PARA SEMPRE DA PRESENÇA DO SENHOR. “... não permanecerão na
congregação dos justos” (vs. 5b-6).
Aplicação:
Quando o dia do julgamento chegar, o
Senhor, o justo Juiz, separará o trigo do joio, as ovelhas dos bodes e os grãos
da palha, e nenhum incrédulo poderá reunir-se com os justos. “Então, o Rei
dirá também aos que estiverem a sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos,
para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”( Mt 25.41). Ver o
cap. XXXIII, I e II da C.F.W.
Como
posso ter certeza que somente os justos escaparão dessa condenação?
IV-
Porque “o SENHOR conhece o caminho dos justos” (vs.6).
O
verbo conhecer nesse versículo, não quer dizer que Deus apenas tem
informação a cerca da existência dos justos e, portanto, se lembra deles.
Antes, significa que o Senhor os escolhera e que os guardará providencialmente
até o dia final. Isso é o que a teologia chama de “a perseverança dos santos”
(ver C.F.W cap. XVII, I e II). Portanto, os justos estarão seguros, porque em
Cristo, Deus os escolheu e salvou para ser seu povo eleito e amado. Eles jamais
se perderão!
Embora
o salmista tenha começado este Salmo com a séria advertência para que os justos
não seguissem o caminho dos apóstatas, contudo, ele sabia que os verdadeiros
crentes seriam guardados pelo Senhor para a salvação porque pertencem a ele.
Aplicação:
Meu querido irmão, não existe
consolação maior que esta, a saber: que pertencemos a Cristo e, portanto,
jamais nos perderemos. Essa é a nossa segurança (Ver a 1ª Pergunta e Resposta
do Catecismo de Heidelberg). Por mais que a nossa fé enfraqueça e estremeça
frente às adversidades que surgem em nossa peregrinação até o Céu, contudo, não
ficaremos pelo caminho ( Ler a C.F.W cap. XVIII, IV). E a certeza para isso, é
que o nosso Senhor Jesus cuidará para que cheguemos até o fim. Ele é aquele
companheiro de viagem que acompanha o peregrino em sua peregrinação no Salmo
23.4: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal
nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”.
Já os ímpios, não terão a mesma sorte. O SENHOR não os
conhece (não escolheu para salvação), por isso, perecerão para sempre - “...
mas o caminho dos ímpios perecerá”. (Ver Mt 7.22-23).
CONCLUSÃO
E APLICAÇÃO:
Concluo
este sermão com a seguinte exortação:
1. Não se relacionem com ímpios. Eles não amam a
Cristo e consequentemente não amarão vocês (Jo 15.18-19). Isso implica o não
envolvimento amoroso entre um crente e um descrente... Moça... Como teu futuro
esposo ímpio amará você como Cristo ama sua igreja considerando que este esposo
não ama Cristo? Rapaz... Como tua futura esposa ímpia se submeterá a você no
Senhor uma vez que a mesma não se submete a Cristo como seu Senhor? (ver Ef
5.22, 25). Não se relacionem com aqueles que não são conhecidos por Deus. Como
se unir com quem se opõem a Deus e não ama sua lei?
2. Não receba qualquer ensinamento que seja contrário
à palavra santa do nosso Senhor. Não sigam as vãs filosofias desse mundo com
seu sistema de valores caído, não ouçam pregadores que não pregam o verdadeiro
evangelho do Senhor Jesus Cristo; não se submetam a estes. Eles são pervertidos
e querem perverter a fé de vocês...
3. Busque alimentar sua fé com a palavra de Deus.
Desenvolva o abito de ler a Bíblia diariamente, acompanhado sempre com orações.
(Ler a Pergunta e resposta 157 do CMW).
4.
Seja grato a Deus pelo seu amor e misericórdia para com sua vida. Pois em
Cristo, ele te escolheu, chamou eficazmente e o regenerou pelo seu Espírito
Santo lhe dando a vida eterna.
Soli Deo Glória!
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Conhecimento de Deus
As Escrituras orientam-nos a conhecer e prosseguir em conhecer a Deus (Os 6.3). Na carta aos Romanos, Paulo afirma que o que de Deus se pode conhecer, até mesmo seus atributos e sua divindade estão disponíveis ao conhecimento dos homens através da criação. No entanto, falamos de Deus como absconditus et revelatus, ou seja, um Deus que ao mesmo tempo em que está escondido do conhecimento do homem se revela para o mesmo.
Entender Deus como escondido e revelado ao mesmo tempo implica ter a consciência de que Deus sendo totalmente Outro, infinito e perfeito em seu ser, está muito além da capacidade e da razão humana que é finita e imperfeita. Todavia, aprouve a Deus revelar-se ao homem de duas formas distintas: 1). através da criação, uma revelação geral, isto é, disponível a toda humanidade; 2). através de Cristo e de Sua Palavra, uma revelação especial a qual Ele revela a homens escolhidos pela sua vontade.
A revelação geral não pode dá ao homem um conhecimento pleno e preciso da pessoa de Deus. Ela apenas serve para impingir na mente humana as impressões da divindade, fornecer uma indicação da existência de um Deus criador. Sua função é despertar o sensus divinatis gravado na alma humana. Esse senso da divindade não só torna o ateísmo impossível e irracional como também serve para tornar o homem condenável pelo fato de que tendo esse conhecimento de Deus ao seu dispor e desprezá-lo, também adultera a verdadeira adoração que a Deus é devida, adorando um deus imaginado, seja este construído a partir de elementos palpáveis ou pela engenhosidade da mente que lhe atribui uma natureza e caráter destoante daquele revelado na Escritura e conforme os moldes de um pensamento eivado de equívocos e imprecisão.
Sendo o homem um ser totalmente depravado em sua natureza, Deus em sua soberana vontade e propósito decretou revelar a si mesmo a alguns homens de uma forma especial dispondo a sua Graça, meios e métodos para que eles cheguem a um conhecimento necessário de Seu Maravilhoso Ser. Esse conhecimento que o homem pode ter não é pleno, mas suficiente para que o finito e imperfeito abarque uma noção do infinito e perfeito que é Deus. Não podemos conhecer a Deus na sua essência (Quid), mas podemos conhece-Lo através de seus atributos (Quali). A criatura humana não pode alcançar tal conhecimento se Deus não lhe comunicar pela sua Santa Palavra. Nenhum indivíduo pode arrogar-se de que de per si adquiriu ou construiu conhecimento sobre Deus. Só conhecemos de Deus aquilo que Ele nos quis revelar a seu respeito. Qualquer conhecimento de Deus que carregue o status de ter sido construído ou adquirido com a capacidade da razão humana terá a pecha de ser uma falsificação da mente do homem caído, que na fuga do Criador e por causa da sua natureza corrompida cria um deus ou imagens defeituosas de Deus conforme a fatuidade e devaneios de seus pensamentos. Deus não pode ser conhecido sem que haja piedade no homem, por outro lado essa piedade ou religiosidade não pode está correta se Cristo, revelação divina, não se interpor na situação do homem. Somente a Obra redentora do Messias reconcilia o homem com Deus e, essa reconciliação propicia um relacionamento mais íntimo com o Senhor.
Podemos aferir se o nosso conhecimento de Deus está coerente se ele é aquele revelado nas Escrituras e se o aplicarmos bem à sua finalidade. Para Calvino conhecimento de Deus não é apenas crer que Ele existe, mas aprendermos o que Dele nos é importa saber a seu respeito visando sua glória.
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